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ARQUIVO BATE-PAPO COM CONVIDADOS
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BATE-PAPO COM
 


 
     
 ÍNTEGRA
O texto abaixo reproduz exatamente a maneira como os participantes
digitaram suas perguntas e respostas

 
(07:06:34) Moderador UOL: Devido ao trânsito, a conversa com Pedro Alexandre Sanches se iniciará com alguns minutos de atraso. Contamos com a sua compreensão.
(07:15:10) Pedro Alexandre: Boa-noite a todos. O mundo está caindo lá fora, com trânsito e chuva começando a cair em São Paulo. Mas cheguei afinal. Quem está aí?
(07:15:12) xuxu: como foi escrever um livro sobre a jovem gurada?
(07:16:01) Pedro Alexandre: Oi, Xuxu. Olha, foi uma delícia. Três anos inteiros de muito trabalho, nas horas vagas da Folha (que não são muitas), mas muito divertido ao mesmo tempo.
(07:16:03) toni: queria saber por que nehum livro que lembre da pre jovem guarda não fala sobre o programa julio rosenberg aos domingos que foi de fato o primeiro programa de rock da tv b rasileira?
(07:17:23) Pedro Alexandre: Puxa, Toni, não posso responder por todos os livros. Eu sou mais um que não citei esse programa, mas porque meu livro não é exatamente sobre o rock brasileiro ou a jovem guarda, e sim sobre o Brasil dos últimos quase 50 anos, sempre sob a ótica do Roberto Carlos e de seus principais parceiros (Erasmo Carlos e Wanderléa).
(07:17:29) Ternurinho: PAS, próimo livro???
(07:17:47) Pedro Alexandre: Hahaha, Ternurinho. Ainda não, calma, deixa eu defender este primeiro!!!
(07:17:54) Fefê: Na sua opinião qual é a importancia do Roberto para os brasileiros. Eu já tive a oportunidade de chegar até o Rei e acho ele maravilhoso.
(07:18:49) Pedro Alexandre: Fefê, uma das idéias centrais que defendo no livro é de que o RC é a cara do Brasil, é o brasileiro com mais cara de brasileiro que existe - para o bem e para o mal, é claro, mas na minha opinião mais para o bem.
(07:18:52) da hora: como é essa história que o roberto é o brasil? em que termos vc faz essa aproximação?
(07:20:55) Pedro Alexandre: Da Hora, acho mais ou menos assim: o RC é um cara interiorano, de infância modesta, que sofreu um acidente que o traumatizou quando era pequeno, tem aquela cara tremendamente triste, é profundamente romântico, quase sempre é obediente demais aos poderosos (mesmo sendo ele próprio um cara poderoso). medroso, assustado etc. etc. etc. Lê de novo o que acabei de escrever e vê se não serve pra você, pra mim, pra todo mundo que está aqui...
(07:21:01) MF Doom: a imagem de Roberto Carlos que parece ser importante é a de cantor romântico? esse estigma, que denota um espírito do brasileiro, é mais benéfico ou maléfico à atitude do brasileiro _que é conformado?
(07:22:18) Pedro Alexandre: MF Doom, acho mais maléfico. É bom ser romântico, mas é ruim ser romântico demais, né? O ultra-romântico acredita em coisas muito negativas, em sofrimento, em amor sentido com dor, em conformismo como você disse. Não vejo problema exatamente no romantismo, mas sim nele em superdosagem.
(07:22:25) Beto: Queria saber qual a participação de Carlos Imperial na carreira de Roberto Carlos?
(07:23:41) Pedro Alexandre: Olha, Beto, Carlos Imperial foi de importância capital, porque foi ele o primeiro incentivador de RC, o cara que tentou por todo custo emplacá-lo nas paradas brasileiras de sucessos. Depois deve ter rolado algum desentendimento, porque nunca mais RC citou ou deu crédito ao Imperial anos afora. Eu também não sei a razão...
(07:23:53) stik: vc ñ achaq o roberto é melhor como compositor do como interprete
(07:25:42) Pedro Alexandre: Ih, Stik, será? Acho que RC é um dos maiores intérpretes do Brasil, talvez o maior, embora ele não aproveite totalmente esse trunfo - podia interpretar grandes compositores, por exemplo, mas ele nunca foi de fazer isso. Como compositor, ele e o Erasmo (porque não é possível falar em RC compositor sozinho, tudo que ele fez foi em dupla com EC) posso dizer que eles são sensacionais, mas não diria que são os maiorais, não...
(07:25:48) Aderson: De que forma podemos avaliar a importacia de Roberto Carlos para a música
(07:25:53) dedé: Roupa fora de moda do RC hoje, representa o que?
(07:26:57) Pedro Alexandre: Aderson, o cara mais popular de toda a história da música brasileira, não é pouco, né? No minímo quer dizer que é o cara que conquistou mais pessoas, mais corações, por que não dizer também mais cabeças. O cara é poderoso, pra ficar só num adjetivo.
(07:27:31) FREI BETO: Pedro, o que o Rei achou do livro?
(07:27:35) Pedro Alexandre: Dedé, significa que ele hoje é um senhor teimoso, apegado num monte de hábitos aparentemente imutáveis.
(07:27:35) MIR: Você acompanhou RC em viagens, swos?
(07:29:15) laura: pedro, você espera alguma reação do rei?
(07:29:46) Pedro Alexandre: Frei Beto, não faço a mínima idéia se o Rei achou alguma coisa do livro. Minha editora, a Boitempo, mandou exemplares ontem por Sedex para o Rio, para ele e para o Erasmo. Já para Wanderléa, que mora em SP, mandamos um para a casa dela, e ela apareceu no lançamento ontem, o que nos deixou muito felizes. Na verdade, nem sei se eles vão se interessar pelo livro... Tô na expectativa, ficarei esperando...
(07:32:01) Pedro Alexandre: MIR, não acompanhei nada, não. Meu livro é um estudo, um ensaio, não é uma biografia ou uma reportagem. Fiz até meio em segredo, para não sofrer interferências e não ser influenciado por nada que não fossem minhas próprias interpretações sobre essa história. Estou bastante feliz porque sei que o Paulo César de Araújo, autor do excelente livro "Eu Não Sou Cachorro, Não", está preparando um livro mais de reportagem sobre RC. Espero que nossos livros possam ser complentares, tipo assim irmãos um do outro. A história apenas começa a ser contada...
(07:32:23) Brasa: Pedro, por que você nunca entrevistou o Roberto Carlos no jornal?
(07:32:59) Pedro Alexandre: Laura, espero todas - e posso obter nenhuma, hahahaha.Mas, sim, sinto grande aflição e preocupação por conta dessas perguntas: "o que ele vai pensar?" "o que ele vai achar? (se ler)" etc.
(07:34:14) Pedro Alexandre: Brasa, pergunta pra ele!, hahahahaah. Eu já entrevistei ele em coletivas, que é quando todos os jornalistas são convocados para conversar ao mesmo tempo com determinado personagem - coisa de rei, de imperador, de cara poderoso. Já tentei entrevistas exclusivas milhares de vez, mas sou sempre esnobado. Aliás, não só eu como, nos últimos dez anos, qualquer jornalista que não pertença à REDE GLOBO DE TELEVISÃO.
(07:34:24) Petter Parker: pedro, o munda ainda sabe quem é roberto carlos?
(07:34:25) Fefê: com esse livro você pretende mostrar aos mais jovens quem é Roberto Carlos, já que nem todos sabem exatamente quem ele é, qual sua importancia, etc...
(07:36:35) Pedro Alexandre: vixe, Petter Parker, sei lá!... Os países latinos costumavam cultuar muito ele, e acho que continuam em certa medida, assim como o Brasil natal. O dito Primeiro Mundo nunca deu muita bola, porque se comove mais com bossa nova e coisas brasileiras que misturem talento cosmopolita com certo dom folclórico - tropicália, Carlinhos Brown... Penso que para o mundo RC não soa como muito brasileiro - assim como não soa para nós também.
(07:37:50) Pedro Alexandre: Fefê, não pretendo isso, não, viu? Na minha opinião todo mundo no Brasil sabe quem é o RC, mesmo que pense que não sabe. Assovia "Detalhes" aí pra ver se alguém vai te dizer que nunca ouviu essa música. RC tá no inconsciente coletivo, é como brinco na introdução do livro uma peça do nosso folcore - sem ser samba, futebol nem mulata.
(07:37:52) laura: pedro, o que você acha da relação do rei com a Globo?
(07:38:50) Pedro Alexandre: Acho que ele deve ganhar montanhas de dinheiro, né, Laura?, hahahaahah. Mas acho que aprisiona ele, que limita ele dentro de uma coisa que parece muito grande, mas na verdade não é tanto assim... Pô, tem tanta coisa que não cabe na tela da Globo! - a maioria das coisas, eu diria.
(07:38:58) ÑOÑO: voce nao acha que o Roberto Carlos, hoje é como o Nelson Gonçalves foi, uma glória, que já enche o saco?
(07:40:25) Pedro Alexandre: Enche o saco, sim, várias vezes. Principalmente quando ele começa a aparecer demais na TV e aí você pensa "xiiiii, é Natal de novo, que saco". Neste ano eu caí junto na armadilha, nem posso falar, ó eu lançando livro sobre RC no Natal... Mas, sei lá, eu quero entender o significado dele, até mesmo o que ele tem que nos enche o saco desse modo - quando nos enche.
(07:40:30) rodka: roberto carlos é um mito, por assim dizer, e mitos são quase intocáveis, sobretudo quando vivos. acha que roberto aprontou muito?(não digo agora, pós-espiritismo)
(07:41:31) Pedro Alexandre: Rodka, eu acho que ele aprontou muito, sim. Acho que ele tem mór jeitão de santo do pau oco, haha. Mas veja bem: você não vai encontrar isso escrito no meu livro, "Como Dois e Dois São Cinco" não é um livro de fofocas!
(07:41:34) da hora: ainda o mesmo tema. brasil/roberto é uma abordagem mais psicologizante? ou vc relaciona a trajetória dele à história do Brasil, aos marcos políticos, como a ditadura, a redemocratização e mais recentemente globalização/neoliberalismo?
(07:43:57) Pedro Alexandre: Da Hora, tem um lado psicológico, sim, eu adoro psicologia. Mas é mais amplo, acredito nisso que você está descrevendo na pergunta. Acho que, por exemplo, ele descreveu o horror da ditadura militar quando cantou "As Curvas da Estrada de Santos" e "Sua Estupidez" e "Jesus Cristo" ("em cada esquina eu vejo o olhar perdido de um irmão") e "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos" (pro Caetano, que tinha sido expulso do Brasil pelos ditadores). Ninguém percebeu que ele fazia isso, talvez nem ele mesmo - mas ele fazia.
(07:44:15) numis: o Roberto é a cara do Brasil e o Erasmo e A Wanderléa como vc os define?
(07:44:32) Pedro Alexandre: E quer símbolo maior do neoliberalismo brasileiro que aquela pena de águia norte-americana que ele usava quando cantava música para a Amazônia?!
(07:44:35) Brasa: Já ouvi o Roberto Carlos dizer que vai escrever um livro sobre a vida dele. Esse livro sai ou não sai?
(07:46:34) Pedro Alexandre: Erasmo é o lado oculto de Roberto. Ele é tão importante, tão genial, tão bom cantor e bom compositor quanto o rei. Mas precisava ser assim pra que eles comprovassem mais uma vez a fábula do primo rico e do primo pobre, do que se oculta pro outro brilhar (e vice-versa). Wanderléa é a ponta feminina deste triângulo, e artisticamente sofreu muito mais que os outros dois, porque vivemos num país nojentamente machista, sexista, misógino, homofóbico. Todo mundo se camufla muito, mas a máxima de que "lugar de mulher é no tanque" ainda atravanca o Brasil em muitos sentidos.
(07:47:16) Pedro Alexandre: Putz, Brasa, não faço a mínima idéia, já que eu e a maioria dos jornalistas brasileiros nunca pudemos nem sequer fazer essa pergunta a ele. Mas tomara, né?
(07:47:19) O Brasa: como vc analisa as diversas fases do RC, da rebeldia da jovem guarda a descoberta do amor eterno, passando pela firmação da fé , da defesa da natureza e da luta pela paz?
(07:51:48) Pedro Alexandre: O Brasa (quanta brasa aqui hoje!!!), acho que é a trajetória do romântico, de ponta a ponta. Primeiro é a vontade de fazer sucesso e o esforço sobre-humano para chegar a isso, mesmo se tiver porventura que passar por cima de uns outros (foi o que aconteceu, por exemplo, com o Sergio Murilo, um precursor de RC). Depois é a juventude, a rebeldia fofinha, mas meio branda, comportada. Aí é o casamento (do artista conquistador com a donzela seduzida - a Nação Brasileira), que vira um duelo de cobranças incríveis, horríveis, e conduz àquele romantismo do tipo "se você pensa que vai fazer comigo o que faz com todo mundo que te ama (...) vai ter que mudar" (o romântico muda o outro mudar o tempo todo, mas não muda nunca). Aí começa um tanto de fanatismo, que é pra manter a pose romântica mesmo quando o casamento já tá meio esfriando - e dê-lhe "Jesus Cristo", "Quando as Crianças Saírem de Férias" etc. Aí vão vindo fases mais melancólicas, burocráticas, desanimadas, mórbidas (nos anos mais recentes)... Isso é o Homem
(07:51:52) beto-es: vc eh considerado por muitos um critico rigoroso, prolixo...etc. como foi essa sua aproximação com esse universo "popular" de Roberto erasmo e Wanderléa...
(07:51:55) Pedro Alexandre: Nossa, grande essa resposta!
(07:54:43) Pedro Alexandre: Beto-ES, não sei muito como sou considerado por muitos - me explica? Mas, sobre a sua pergunta, acho que o livro me fez em grande medida fazer um ajuste de contas comigo mesmo, testar certos preconceitos meus, falar com coragem que eu amo algo que eu amo mas não tinha muita coragem de confessar. Tenho dito que acho que não só eu, mas toda a crítica brasileira (e nem tô falando só da musical, podemos até falar em política aqui) tem uma enorme dívida com esse universo que o RC representa (e muitos símbolos populares representam, e o Lula mais do que ninguém representa hoje em dia). Eu diria que é uma dívida do Brasil com o próprio Brasil - e que o Brasil só vai crescer verdadeiramente quando aceitarmos deixar de ser teimosos e remexer nessa dívida, zerar ela se possível.
(07:54:52) veterano: O empresário Marcos Lázaro roubou o RC?
(07:56:08) Pedro Alexandre: Ih, Veterano, não sei, não! Costuma se pensar e dizer muito que TODO empresário rouba TODOS os artistas, mas eu não sei se isso é verdade, não. Mesmo que seja, isso alavanca meio uma postura de vítima nos artistas, né? Porque, afinal, por que se deixam roubar?
(07:56:10) rodka: rc é, antes de cantor, um entertaitment. acha que o nosso sub consciente o projetou a mais por falta de verdadeiros ídolos, ou ídolos verdadeiros, ou acha que ele é mermo sensacional?
(07:58:28) Pedro Alexandre: Não, rodka, nunca. Nosso subconsciente o projetou tanto assim porque ele era a pessoa mais parecida ao nosso subconsciente que havia. Era a maior antena, o cara que captava com maior precisão os acertos e erros que cada brasileiro, do mais humilde ao mais poderoso, estava vivendo no dia a dia, principalmente no período de horror, da ditadura. É por isso, aliás, que batizei o livro de "Como Dois e Dois São Cinco", que é uma frase de uma música que Caetano Veloso fez para RC cantar, em retribuição a "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos": RC era a antena mais forte e poderosa de um Brasil (o da ditadura e de seus estertores, tipo Collor) onde "tudo em volta está deserto, tudo certo, tudo certo como dois e dois são cinco".
(07:58:30) jovem: roberto carlos é um dos artistas mais reservados deste país, do que ele tem medo que a imprensa fale a seu respeito?
(08:01:18) Pedro Alexandre: Jovem, você tá me lembrando da Wanderléa: "Nós somos jovens! jovens! jovens! somos do exército! do exército do surfe!". Foooofaaaa. Mas falando sério: RC é cheio de manias, e ele vem passando por um processo incrível, por psicoterapia, que é de detectar que suas manias não eram manias, mas sim um distúrbio grave e limitador, que hoje se chama de "transtorno obssessivo compulsivo" - não sou eu que tô falando, ele mesmo tem dito isso. Ou seja, ele não é tão reservado assim, né? Aliás, essa é outra das minhas hipóteses: RC, mesmo quando pensa que está iludindo ou escondendo coisas, é muito, muito, muito, muito transparente e sincero. E esse é o lado bom dessa aliança tão sólida que ele formou com os brasileiros. Afinal, o que a gente precisa nesta vida, além de sinceridade?
(08:01:24) Eduardo: Percebe-se que Roberto é uma referência para quase todo mundo que canta MPB hoje em dia. Maria Bethânia dedicou um disco inteiro, Kid Abelha o regrava com muita propriedade. A obra do Roberto é mesmo atemporal, estes amores todos que ele escreveu a respeito, ou quando o ouvimos hoje temos a idéia de saudade de um passado do tipo "éramos felizes e não sabíamos"?
(08:04:39) Pedro Alexandre: Eduardo, concordo com o que você está falando, mas não acho que a questão central seja essa, não. Acho que nessas canções e no modo de reinterpretar da Bethânia, do Kid Abelha, da Marina Lima e de tanta gente mais, o que está em jogo é esse romantismo desmedido, dilacerado, que todo mundo tem por dentro. Quando alguém quer transbordar seu romantismo recorre ao RC, porque ali tudo está dito (dito certo como dois e dois são cinco, mas está).Ah, falei de gente que reinterpretou ele e fiquei com vontade de citar, porque pouquíssima gente sabe disso: a primeira pessoa que teve coragem de furar o bloqueio e do preconceito da MPB "culta" em cima de Roberto e Erasmo foi a Nara Leão, uma das maiores artistas que a gente teve. Ela gravou um disco inteiro de músicas deles em 78, quando RC já era visto como a coisa mais cafona do mundo, cantando "Cavalgada" e "você, meu amigo de fé, meu irmão camarada"...
(08:04:43) cacareco: pedro, qual é a canção mais robertiana feita por um não roberto?
(08:05:51) Pedro Alexandre: Cacareco, acho que hoje em dia o Nando Reis não é nenhum Roberto, mas às vezes ele chega perto. Acabei de fazer um plágio, citando a canção "Nenhum Roberto", que Nando Reis e Cássia Eller gravou, e dizia isso mesmo "não sou nenhum roberto/ mas às vezes eu chego perto"...
(08:05:53) O Brasa: voce poderia estabelecer uma relação entre a parceria de Roberto e Erasmo com a de Lennon e McCartney por exemplo?
(08:07:01) Pedro Alexandre: Concluindo: a canção mais robertiana de um não-roberto, pra mim, é "O Segundo Sol", creditada ao Nando e lançada por Cássia.
(08:08:34) Pedro Alexandre: O Brasa, são parcerias de pop perfeito, né? Caretinhas, arrumadinhas, bobinhas, mas 100% irresistíveis. Aliás, dá margem a boas reflexões essa comparação: por que tanta gente acha Roberto&Erasmo cafonas e tão pouca gente acha John&Paul cafonas? (parênteses: existe algo mais cafona que "Imagine"?, argh!) Será que é porque a Inglaterra tem amor-próprio, e nós não? A Inglaterra ou o mundo?
(08:08:37) salve o Rei: Pedro, vc acha que a música atual produzida pelo Rei ainda tem sua relevância ou a produção musical dele já teve melhores dias? Existe uma saturação, uma estagnação criativa?
(08:10:36) Pedro Alexandre: Eu acho que a música que ele faz hoje em dia (exceto no "Acústico MTV", que acho bem legal) é em geral chatinha, desanimada, meio sem vida. Mas não acho que ela seja irrelevante por isso. Porque por exemplo se "As Flores do Jardim da Nossa Casa", de 69, ajudava a compreender o AI-5 e o governo Médici, cançõess como "O Taxista", "Coisa Gostosa", "Mulher de Óculos" etc. ajudam, e bem, a entender o Brasil de FHC.
(08:10:41) Eduardo: Numa de suas raras entrevistas, vi uma vez o Roberto no Jô. Indagado pelo Jô, Roberto disse que o um artista que ele adoraria que gravasse algo seu (e que nunca tinha gravado) era o Chico Buarque. Curiosamente, ambos sempre falaram de grandes amores, paixões dilacerantes. E no entanto, são vistos de maneira diferente, Chico é fino, Roberto é povão. Não é isso uma incongruência da crítica brasileira?
(08:13:10) Pedro Alexandre: É, Eduardo, mas os dois são bem machistas, cada um ao seu modo, né? E os dois são grandes poetas, cada um ao seu modo, né? Acho que é uma incongruência da crítica, sim, é preciso reconhecermos sofisticação em Roberto Carlos e cafonice em Chico Buarque - mas pras duas coisas é preciso antes perder muitos preconceitos.Só um comentário: Roberto queria que Chico gravasse ele, mas Roberto nunca gravou Chico, né? Tá reclamando de quê? Parece meio briguinha de comadre, "vai primeiro que senão eu não vou"...
(08:14:11) Pedro Alexandre: Olha eu tava me divertindo à beça, mas o "modelador" mandou eu parar... "Já está chegando a hora de ir", plagiando RC ("A Despedida", 74)... Adorei, abraços e beijos para todos. Leiam meu livro, tá?!!?!?!
(08:14:21) Moderador UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença do jornalista Pedro Alexandre Sanches e de todos os internautas. Na sequência, a banda gaúcha de rock Bidê ou Balde é nossa convidada. Continue conosco.