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ARQUIVO BATE-PAPO COM CONVIDADOS
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BATE-PAPO COM
 


 
     
 ÍNTEGRA
O texto abaixo reproduz exatamente a maneira como os participantes
digitaram suas perguntas e respostas

 
(09:12:30) Esther Góes: Estou muito honrada em que vocês tenham aceito o convite de conversar comigo. É uma grande alegria. Estou disponível para o que vocês quiserem saber.
(09:12:30) J0hNnY: como eh dirige uma peça com o seu filho Ariel Borghi?
(09:16:02) Esther Góes: J0hNnY, é um trabalho que fazemos amador há algum tempo. Dou cursos com ele, são formas de estudar. São formas de pegar uma autor e conhecer do meu jeito. Aprendi direção com alunos. Eu tenho essa facilidade e ele também. Meter a mão na cenografia, inventar uma luz, um jeito. E com isso fizemos muitas vezes com alunos até que sentimos-nos capazes de fazer de outro jeito. Por vezes divergimos e ele às vezes é radical demais. Mas acho que para as pessoas que estão sendo dirigidas também não é fácil. Por outro lado, dividir uma visão única e tê-lo como diretor me deixou muito feliz. Eu tinha plena consciência de que consegui atuar e dirigir porque era ela. Ela muito tranquilo pra nós dois a confiança. É uma experiência bem bacana o que estamos vivendo.
(09:16:02) Lila: esther, fale sobre sua peça, do que se trata exactamente?
(09:22:31) Esther Góes: Lila, tenho mania de contar historinha porque aí a pessoa entente. A peça se passa no final da Guerra de Tróia, três dias depois que as troianas foram escravizadas. Ela foi escrita por Eurípedes. No momento da guerra de Tróia, que os gregos ganharam, tem uma passagem muito importante que sai daquele monte de gente barbarizada para ir a outro momento. Quando a peça foi escrita tiveram mais duas guerras, por conta das dúvidas do século quinto vivido, esses caras escreveram algo que eles precisavam entender. A civilização começa existir quando há o julgamento. Chega o Estado e forma-se o que se chama de Lei. Então como isso acontecia no século V, as dúvidas foram jogadas no século XII e aí aparece a questão do julgamento, da traição, da vingança e tudo isso acontece com uma mulher, que naquele momento está com todas troianas e que de repente se vê agredida e também traída por um aliado. A justiça que essa mulher pratica com as próprias mães é a questão sutil discutida. Essa mulher idosa, muito idosa e a força de
(09:22:34) J0hNnY: como eh atua e dirigi uma peça ?
(09:25:42) Esther Góes: J0hNnY, é complicado até um certo ponto. Pra eu realmente conseguir mergulhar precisei ver a visão de fora, cada personagem, a função do coro das troianas. O coro é muito mais pessoal e está muito próximo de nós. Tudo isso tinha que estar claro, constituido antes de eu dar um mergulho real na personagem. Muitas vezes, eu estava dirigindo os outros. às vezes, quando perguntava se aquilo era possível. Chega num ponto que atuar no seu papel não basta, você precisa interagir com o todo. Tb é muito difícil confiar em alguém em uma obra que você realmente ama. Não quis correr o risco e ir até o fim. Por isso quis fazer com o Ariel que tenho plena confiança. Mas não é fácil não. É um desafio.
(09:25:43) Moderador UOL:
Divulgação

Cena da peça "Hécuba"

(09:25:44) Brasileira: Oi, esther! como vai a sua peça?
(09:28:24) Esther Góes: Brasileira, a gente estreou há uma semana. Me pareceu um resultado bom pelo entusiasmo das pessoas. Tenho a alegria de contar com o apoio da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que vai fazer um trabalho muito grande com professores para debater o tema da peça. Vejo aquela coisa bacana de jogar um embrião e ver que ele vai nascer. É também um movimento, um caminho de verificação de fatos e de aumentar nossa consciência de reflexão. O teatro é sempre isso. Tô encantada com a possibilidade de ver até onde podemos ir com esse trabalho.
(09:28:25) J0hNnY: aonde sua peça estara apresentando ?
(09:29:03) Esther Góes: J0hNnY, no teatro Ruth Escobar, na sala Gil Vicente. Um sala que já recebeu belos espetáculos e um teatro que já tem uma história.
(09:29:04) G@TI$$IMO@@VERDES: ESTER O QUE ESSA PEÇA REPRESENTE PARA VC.
(09:33:03) Esther Góes: G@TI$$IMO@@VERDES, pra mim representa muita coisa. Primeiro pelo personagem Hécuba, chega um momento em que chega a hora de pegar personagens que tenha uma envergadura. Colocar coisas a mais de você. Pra mim é importante o que uma atriz diga através do personagem e isso a Hécuba responde divinamente quanto a minha maturidade de atriz e de pessoa. E significa tb eu pode investigar mais o teatro, escolher o texto com escolhas mais pessoais e livres. A direção implica nessa liberdade, fazer com que as pessoas achem legal. Eu exijo muito de mim e de quem está ao meu lado. Quero que fique muito bom e preciso de parceiros que vejam a arte dessa maneira. Não me defino como uma pessoa que pretende a mídia ou o sucesso, acho que o sucesso é resultante do trabalho que faz, o que me interessa é a investigação do texto, descobrir o melhor caminho que o teatro pode proporcionar. Ainda mais tendo meu filho como parceiro. É um momento extremamente especial.
(09:33:05) J0hNnY: pq esse nome "Hécube" ?
(09:37:28) J0hNnY: eh a primeira peça q vc dirige ?
(09:37:29) Esther Góes: J0hNnY, porque é o nome dela. Na verdade esses caras que escreveram as tragédias se basearam muito na Odisséia e Ilíadas. O Homero compilou muito da tradição oral, o relato dos poetas, memórias não escritas, tudo isso que tava solto e constitui a história através das tragédias. Eu acho que essa mulher existiu de fato.
(09:42:02) Esther Góes: Johny, profissionalmente sim.
(09:42:05) Galera de Marília: como se sente fazendo o papel da rainha de Tróia ?
(09:47:55) Esther Góes: Galera de Marília, olha foi assim é Hécuba é descrita como uma mulher muito idosa, naquela época as mulheres eram muito maltratadas. Primeiro pensamos saber do quanto idosa ela poderia ser. Eu e o Ariel pensamos no mais idoso e depois tivemos que pensar, aí chegamos a conclusão de que ela deveria ser não tão idosa, mas acabada. Ela tinha que ter aquela força, se ela fosse muito idosa ela não poderia ir tão adiante. Então, voltar um pouco. E isso foi bom pra eu me encontrar com ela. Fui pra ela dessa maneira, me envelhecendo o suficiente para ela ter o momento de vida suficiente pra ela ter condição de executar o que ela realiza no espetáculo. Não podia ser tão distante da minha pessoa, pra nao ficar preso nisso. A personagem precisa ter um fio de laço pra poder fazer. Este traço foi vivido e experimentado. Ela ficou com a idade certa. E viver isso, acho que os grande sentimentos dessa mulher, primeiro dos seus filhos, depois aqueles que estão sob seu comando, seu marido. A perda dela dá uma dimensão histórica
(09:47:58) gabi_noturna: vc prefere fazer: teatro, novela ou seriado
(09:50:30) Esther Góes: gabi_noturna, novela e seriado é mais ou menos parecido. Diria que minhas preferências vão de início ao teatro, que nossa escola e divido essa paixão com o cinema. Fiz alguns filmes muito bons, interessantes. Não tenho feito cinema ultimamente, tô numa fase totalmente teatral. TV é bom se o trabalho é bom. Mas tem muitas limitações por ser submisso a um esquema comercial.
(09:50:34) Moderador UOL:
Adriana de Barros/UOL

Esther Góes no Bate-papo UOL

(09:50:37) Galera de Marília: Esther, fale quando virá para o interior de São Paulo com a nova peça?
(09:51:46) Esther Góes: gabi_noturna, fiz algumaas minisséries muito boas. Fiz "Meu destino é Pecar". Fiz muitas coisas boas na TV Cultura também. Eram pequenas minisséries, mas precisa ser muito bom o que faz para fazer televisão. Gosto muito de fazer algo que já fiz como entrevistar. Mas gostaria de estabelecer a regra do jogo.
(09:51:55) Diogo: Em que você se inspirou para atuar?
(09:54:38) Esther Góes: Galera de Marília, acho que ano que vem. Este ano ficaremos em SP. Acabamos de lançar e vamos ficar o máximo que puder em cartaz. Gostaria de contar com todos, principalmente com professores, alunos, universitários. Não tenho nenhuma pressa de acabar este trabalho, mas vou seguramente para o interior de São PAulo.
(09:54:44) Moderador UOL:
Divulgação

Cena da peça "Hécuba"

(09:56:04) Esther Góes: Diogo, foi uma pergunta bem interessante. Tem a mulher do Brecht, que é uma mulher bem interessante, que gostava de papéis como este, bem pesado. Se tem uma atriz que me inspira na vida Heleni Weigel
(09:56:06) Galera de Marília: tem planos para peça infantil?
(09:58:57) Esther Góes: Galera de Marília, eu comecei fazer teatro infantil, mas aí ia querer me especializar, entender por que. Cheguei a ser júri do teatro infantil e a única peça infantil que adorei ver em cena foi o "Patinho Feio". Era um monólogo. Foi genial. Com Caio Blat. Impressionante porque ele lidava com uma verdade tão grande dentro dele. Eu saí achando que aquele teatro era o verdadeiro. Detesto aquele teatro infantil com uma história rocambolesca, como luzes, e tudo isso. Eu seria radical pra fazer e acho melhor não fazer. Não é fácil fazer teatro infantil não. Você não pode mentir tanto para uma criança.
(09:58:59) fefondi: vc tem previsão da peça ser apresentada no litoral de São Paulo na baixada Santista???
(09:59:40) Esther Góes: fefondi, em tudo isso a gente vai. Santos com certeza.
(10:01:43) Esther Góes: Tenho um cenário muito bonito em cena que é do Tuneu, um figurina da MÔnica del MÔnica, iluminação maravilhosa do Marcos Vasconcellos. Queria citar especialmente o Kalil, a Erika, o Helder, o Arthur, o Fagner, a Silvia e todo um coro de mulheres maravilhosas fazendo um coro belíssimo. Uma equipe maravilhosa que devo toda gratidão. Ainda não está pronto, só considero um trabalho pronto depois de 4 meses em cartaz.
(10:03:28) Esther Góes: Obrigada você todos vocês. E meu convite pra vocês. Não percam porque é um grande texto. Um pouco da história da humanidade. Nossa civilização deve tudo a civilização grega. Você vai encontrar muitas questões sobre a política, a vida, neste texto.
(10:03:40) Moderador UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Esther Góes e de todos os internautas. Até o próximo!